14/08 2017 O blogue «Da Romênia»

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Abaixo poderão encontrar a história do blogue «Da Romênia», dos autores-tradutores Anca Moșescu e André Heliodoro, dois jovens que decidiram traduzir o universo romeno para português. Poderão encontrar as traduções na página deles – Da Romênia e informações sobre os serviços que oferecem. Boa leitura!

Texto – Anca Moșescu, tradução – André Heliodoro

Como surgiu o Da Romênia? Bem, em primeiro lugar, a partir de uma certa frustração minha. Acho que André quis mais compartilhar o que ele vê de interessante do espaço cultural romeno, mas, como vinha dizendo, na base de tudo havia o fato de eu só ter trabalhado em empresas e instituições estrangeiras e sempre permanecer com a impressão de que, apesar de esses colegas estrangeiros viverem aqui já há anos, muitos deles na verdade sabiam bem pouco sobre a Romênia. É compreensível que, para um estrangeiro, talvez seja mais simples desse jeito, não se aprofundar tanto em querer conhecer nossa sociedade, entretanto, ainda assim, acho que vale a pena contar sobre algumas questões da realidade romena que não aparecem na imprensa mainstream, tanto as positivas quanto as negativas. Lembro-me que, em 2006, quando trabalhava numa firma portuguesa, um colega me contou de quando estava se preparando para vir à Romênia e não sabia o que colocar na bagagem, o que encontraria por aqui, se acharia iogurte com frutas no supermercado… Acho que a Romênia superou suas expectativas. O blog é em português porque muitas coisas (boas) me ligam ao espaço lusófono, mas, acima de tudo, porque André é brasileiro, é tradutor, e foi uma escolha natural. Da mesma forma, observei ao longo do tempo que os falantes de português que estão na Romênia, e que também aprenderam romeno, geralmente não leem o que consideramos ser o lado mais sério, e talvez o mais seleto, das publicações locais, que trazem os assuntos mais interessantes. Publicações essas que nem sempre são gratuitas. Então decidimos traduzir materiais diversos (artigos, reportagens, trechos de livros) que mostram aspectos menos conhecidos deste país. Estamos ainda no começo e provavelmente diversificaremos nosso formato, porém, a partir das reações dos leitores, acho que estamos no caminho certo.  Até agora, a postagem que repercutiu mais foi a do livro “Eu também vivi no comunismo” (Humanitas, 2015), uma compilação de testemunhos de pessoas comuns que viveram aquela época. Se o livro por si só já é extraordinário para o público romeno, para um estrangeiro é realmente uma preciosa fonte para compreender melhor a história mais “pessoal” deste povo e as mentalidades que daí nasceram.  Acho que todos somos conscientes, uns mais outros menos, que vivemos num mundo interconectado, mas, ainda assim, para nós é fascinante descobrir que, por exemplo, o artigo sobre os mici de Obor evocou nostalgias numa casa de São Paulo, onde a receita desse prato foi transmitida de pai para filha. Pena que não existe cerveja “Silva” no Brasil ou em Portugal. Teria sido uma combinação de muito sucesso.