04/06 2021 A vida antes da mudança: Roménia – Portugal – Roménia

Vivi metade da minha vida em Portimão, Portugal e para mim é o melhor sítio do mundo, não só pela sua beleza, como também pela paz que traz ao meu coração.

No ano 2015 tive que voltar ao meu país natal, a Roménia, porque os meus pais tinham saudades de passar mais tempo com a família, o que eu até entendo. Para mim sem dúvida foi uma decisão que me deu muito desgosto, partiu-me o coração, mas aos poucos as coisas foram melhorando.

Fiz o ensino secundário onde estudei Matemática-Informática, e atualmente sou estudante na especialização Bioquímica da Faculdade de Biologia, na Universidade do Oeste de Timișoara. No futuro gostaria de descobrir algo inovador, que ajude muitas pessoas, porque desde criança sou uma pessoa que se preocupa com o bem dos outros.

Como pode uma mudança mudar uma adolescente?

Bem, vou começar por contar como tudo era antes, antes da mudança que me fez ver a vida de outra maneira. Uma simples adolescente de 14 anos, que viveu os seus últimos 10 anos em Portimão, onde fez a escola primária, o ensino médio, onde fez as primeiras amizades e que sempre achou que aquele lugar seria a sua “casa”.

Era uma criança ativa que queria sempre participar em tudo, na escola então mesmo se me pedissem para calar, eu não o fazia até dizer o meu ponto de vista. Era uma boa aluna, das melhores da turma, não tinha medo de nada, não tinha medo de errar, pensava sempre que mais vale tentar do que ficar calada, até porque quem não arrisca, não petisca.

As minhas melhores lembranças são na escola, não havia manhã em que eu não estivesse feliz por um novo dia lá. Era lá que eu tinha todos os meus amigos, e era lá que eu me sentia bem. Não posso esquecer que simplesmente amava umas das minhas professoras, e como não amar alguém que ensina tudo com tanto amor e carinho? Já nem era preciso estar em casa a estudar, porque aprendia tudo nas aulas.

Os meus amigos foram uma grande parte da minha vida, tinha um grupo de amigos muito unido, estávamos sempre juntos, quando tínhamos tempo livre, como a nossa escola era perto da praia, íamos sempre para a praia, onde passávamos horas e nós não nos fartávamos uns dos outros. A verdade é que agora que me lembro de todas estas lembranças, percebo que é disto que eu tenho mais saudades.

Saudades

É díficil pensar neles e não ter saudades, como não ter saudades da Ana, da Jordana, da Inês, da Viviana, da Sara, do Vasco, do Ignácio, do Luís, do Afonso, do Peixinho ou do Rúben? Foram sem dúvida pessoas que me fizeram viver os melhores momentos da minha vida, que agora os guardo com muito amor no meu peito.

Fora da escola, eu fazia danças modernas onde tinha um grupo maravilhoso, para além da minha paixão pela dança, era sempre uma grande alegria nos treinos e nos espectáculos, era um sentimento que me fazia sentir mil coisas e todas elas boas.

E então pergunto eu, como não ter saudades de tudo isto? Como não sentir saudades da altura da minha vida preferida, a altura em que fui mais feliz e satisfeita com a vida. Talvez tenha sido a idade também a influenciar, a idade em que vês tudo o que é mais bonito e o resto deixas ir, ir bem longe de ti.

Deixar tudo isto para trás e ter que começar do zero, foi sem dúvida a coisa mais díficil para mim, deixar a minha casa, os meus amigos, a minha escola, as minhas raízes. Acho que foi com esta mudança na minha vida que comecei a odiar as mudanças, fazem-me sentir desconfortável, sinto uma angústia no peito.

Começar de novo na Roménia

Quando comecei a escola na Roménia era uma outra pessoa, a adolesente corajosa que não tinha medo de nada, tinha desaparecido. A pessoa aberta começou a fechar-se em si. Na escola parecia anti-social, mas eu só não queria fazer novas amizades porque ainda esperava voltar a viver em Portugal. Mas o tempo foi passando, eu fui-me habituando à ideia, e continuei a minha vida, fiz novos amigos, comecei a ser mais confiante na escola e comecei a confiar no destino, pensava “o que for para ser, será”.

Toda esta experiência fez-me amadurecer muito, comecei a ver a vida com outros olhos, percebi que temos que aproveitar sempre todos os momentos, porque nunca sabemos quando são os últimos. Percebi que o primeiro passo para ultapassar um momento díficil é admitir que nada mais será igual, e que temos que parar de pensar no passado e começar a viver no presente. Quem sabe, o presente talvez seja ainda melhor.

Texto e fotografias de Silvia Ienea, estudante na Universidade do Oeste de Timișoara.

Texto publicado com o apoio da Iolanda Vasile, Leitora de Língua Portuguesa do Camões Instituto da Cooperação e da Língua – Faculdade de Letras, História e Teologia da Universidade Oeste de Timișoara (Roménia).

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